Carta de Bertioga

Posted on 24/11/2010 por

0



Veja aqui o vídeo sobre o processo de criação da Carta de Bertioga.

Veja aqui as fotos do processo da carta.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A seguir, a carta na íntegra. Para baixar o arquivo em pdf, clique aqui.

CARTA DE BERTIOGA

Os 115 estudantes participantes do Seminário Nacional do Ensino Médio Inovador, durante as atividades de produção coletiva de vídeo, na perspectiva da Educomunicação, discutiram o tema “O Ensino Médio que queremos”.

Segue, abaixo, a sistematização das discussões dos 8 grupos, mantendo-se a redação original, e as eventuais repetições.

PARTICIPAÇÃO
– Participação dos jovens na gestão da escola (em Conselhos, Grêmios)
– Inserção do jovem na comunidade escolar
– Participação efetiva do jovem
– Uma escola que dá mais voz ao aluno
– Jovem mobiliza jovem
– Garantir representação estudantil – dar opinião sobre os professores e outros itens da escola
– Participação no PPP e nos Conselhos Escolares
– Gestão democrática das escolas pelo governo
– Jovem autônomo, capaz de criticar o mundo, dar a sua opinião
– A estrutura vem a partir da participação
– Se o aluno se sente parte da escola, vai se sentir parte da sociedade
– Família mais participativa
– Família deve ser trabalhada com a escola porque influencia
– Participação pró-ativa: eu penso, eu faço
– Participação dos jovens no planejamento educacional dos governos estaduais
– Os jovens devem ter participação nas decisões relativas à infraestrutura a serem tomadas pelos governos estaduais, fiscalizando a aplicação dos recursos públicos

COMUNICAÇÃO
– O jovem deve sentir sua presença no colégio através do grêmio, rádio, jornal…
– A mídia pode influenciar negativamente. O jovem precisa criar a própria mídia.
– Rádio organizada por jovens
– Trocar programas de rádio/jornal/vídeo entre escolas do país
– Fazer programas de rádio/jornal/vídeos para falar de história que não conhecemos, trocar programas entre escolas do país

GRADE CURRICULAR
– Deve preparar para a vida, e não só para o vestibular
– Atividades além do currículo tradicional, que estimulem consciência crítica, arte, esportes…
– Aulas dinâmicas, teórico-práticas, com valorização das novas tecnologias
– Integração das disciplinas – interdisciplinaridade
– Conteúdos relacionados à realidade local
– Mais aulas de campo
– Espinha dorsal no conteúdo, com modalidade de conteúdo
– Contato com a natureza
– Sair do “papel”, ir pra prática
– Aumentar o tempo de intervalo
– Conhecer a região e culturas
– Esporte
– Ter prática
– Significado para nossa vida
– Formação de jovem pensante
– Deve haver uma espinha dorsal, mas a forma de fazer diferente
– Prática de projeto
– Precisa ser mais atrativo, dinâmico, na perspectiva do estudante
– Diversidade de cursos extracurriculares, pra complementar a formação
– Recuperação paralela → estímulo às dificuldades
– Não obrigatoriedade
– Mudança na temática e método
– Escola da família rural adaptada à realidade
– Aulas mais dinâmicas, conectadas com a realidade do aluno
– Curiosidade, interesse, vontade de aprender na escola → conectado com a realidade do aluno
– Recíproca motivação
– Ensino Médio diferenciado do comum
– Alunos são consumidores de conhecimento e deveriam ser produtores
– Que busquem conhecimento extra-escolar
– Avaliação composta por provas e outras maneiras atividades/projetos, que levem à reflexão.
– Grade 1º ano: revisão do Fundamental sem o aprofundamento exagerado em algumas matérias sem sentido. 2º e 3º ano: enfoque para outras questões, que preparem para o mercado de trabalho, preparação para o vestibular, preparação para um trabalho temporário, acompanhamento pós-Ensino Médio, Escola técnica não forma gente sem qualificação?
– Falta relacionar escola/trabalho.
– Que o aluno possa escolher a matéria que quer se aprofundar.
– Preservar o currículo particular de cada escola
– Ensino integral
– O jovem tem que fazer o que gosta
– Aulas normais de manhã e oficinas à tarde
– Não pode padronizar o ensino, mas a estrutura sim.
– Aprendizado mais prático, por projeto e vinculado à realidade
– Turmas pequenas
– Recuperação paralela
– Desenvolvimento de muitos projetos
– Concessão de bolsa de estímulo à iniciação científica
– Ensino profissionalizante complementar
– Motivação
– Escolas que falem das leis e dos direitos para os alunos
– Implantação de LIBRAS nas escolas como matéria obrigatória
– Que o tema meio ambiente seja tratado de forma transversal

VESTIBULAR/ENEM
– Adianta ser diferente se a faculdade vai cobrar o formal?
– Alterar o modelo de vestibular
– Quem precisa se adequar às condições das escolas de Ensino Médio é o ENEM
– Passar no ENEM como consequência
– Vestibular: câncer da educação brasileira
– Como vamos melhorar a qualidade da educação, inovar o Ensino Médio, se os métodos de entrada na faculdade continuam os mesmos?

DIDÁTICA
– Reforma metodológica profunda
– Projetos pedagógicos interessantes
– A didática precisa mudar
– Precisamos descobrir o que excita o aluno
– A mudança na grade é menos importante que a mudança da didática
– Dar sentido ao que é ensinado, vincular com a realidade
– Valorizar as habilidades individuais
– Explicar questões de atualidades e que isso seja cobrado em avaliação (exemplo: provas)
– Formação tecnológica dos professores para aproveitamento das novas mídias inseridas nas escolas

AVALIAÇÃO
– A escola só incentiva o aluno a participar com nota, não pela importância
– Alterar método de avaliação, não com nota pelo trabalho, mas pelo esforço
– Avaliação continuada
– Provas com questões analíticas e contextualizadas (conforme o modelo do vestibular e do ENEM), que façam a gente pensar

TRABALHO
– Estabelecer parcerias com comércio local
– Monitoria remunerada dentro da escola
– Compatibilidade horário escola/horário empresa.
– Flexibilidade e compreensão entre Secretaria da Educação e empresa, voltado a educação física que é realizada no contra-turno. Basta incluir a educação física no horário escolar ou logo após

INFRAESTRUTURA
– Infraestrutura boa
– Falta estrutura física: passa o dia inteiro e não tem onde tomar banho
– Não pode padronizar o ensino, mas a estrutura sim.
– Merenda para Ensino Médio
– Acesso à internet de qualidade, sem restrição ao aluno
– Não há fiscalização na escola
– Suporte pedagógico/psicológico em cada escola
– Acompanhamento pedagógico e emocional do aluno
– Internet é primordial
– Mais infraestrutura
– Estrutura adequada para alunos com deficiência
– As escolas do todo Brasil devem ter estrutura para receber pessoas especiais

PERFIL DO ALUNO
– O jovem deve cobrar projetos
– O jovem deve ter consciência do seu papel
– O jovem deve se sentir presente e agente do conhecimento
– Se o aluno tiver consciência do que ele quer, ele vai correr atrás
– Somos exceção: milhares de jovens nem sabem o que estudam ou porque
– Interessados e comprometidos
– Aplicados
– Participativos
– Que busquem conhecimento extraescolar
– Alunos que exijam seus direitos e cumpram seus deveres na escola
– Preocupação com o conteúdo
– Não basta a escola e o governo mudar. A mudança deve ocorrer também nos alunos
– O jovem deve ser curioso.
– Como fazer o jovem entender seu papel?
– O jovem como formador de opinião, consciente e crítico.
– Alunos participativos na escola e também na sociedade como um todo

FUNÇÃO DA ESCOLA
– Ter autonomia não é seguir regras porque sabe que será penalizado, mas porque sabe que aquilo é o correto.
– Escola legal e que todas sejam legais
– Escola que seja sensível ao aluno, que comece a olhar para o futuro – projeto de vida
– A escola como família
– A escola tem que ter a função de companheirismo com a família do aluno, comunicando-a de problemas enfrentados pelo aluno na escola

ACESSO
– Dificuldade em incluir comunidades distantes: rural, quilombolas e indígenas
– Êxodo rural afeta o acesso à educação
– Passe livre para estudantes, não apenas do Ensino Médio
– Acesso/permanência/sucesso
– Ensino médio que mantenha o aluno na escola: Acesso e permanência
– Acesso para portadores de deficiência nas escolas
– Aulas de braile na escola para deficientes visuais

RELAÇÃO ALUNO-PROFESSOR
– Transparência no diálogo
– Liberdade/confiança
– Rebelião das filmadoras (vigilância)
– Formação do professor para interação com os alunos jovens
– Importância dos professores conhecerem a realidade do aluno
– Aluno como ser humano, não como nota
– Aluno objeto → virar aluno sujeito
– Professores abertos à participação dos alunos
– A exclusão do jugo desigual dos professores para com os alunos (todos pagam por um)

GESTÃO
– Comunidade escolar elege a direção da escola
– Autonomia da comunidade escolar
– A escola precisa se abrir para a comunidade
– A comunidade precisa entrar na escola
– Não há fiscalização nas escolas
– Publicação das finanças escolares na internet de forma detalhada

INTERCÂMBIO
– Proporcionar o intercâmbio de alunos de outros estados e outros países para experiências culturais
– Troca de experiências
– Incentivo a integração e intercâmbios com jovens do Mercosul/América Latina
– Mais integração com universidades federais
– Estimular a interação do Ensino Médio com o Ensino Fundamental
– Integração entre as escolas locais
– Os projetos bem sucedidos devem ser levados para outras escolas respeitando as especificidades de cada região

PROFESSORES
– Má formação dos professores ↔ más condições de trabalho
– Professores exclusivos de cada escola → mais atenção para os alunos
– Às vezes falta ética do professor
– Qualificados, dispostos a ensinar
– Criativos e dinâmicos
– Que tragam novas metodologias
– Abertos a participação dos alunos
– Bem remunerados
– Com qualificação continuada
– Com formação continuada
– Professores assíduos

ENSINO MÉDIO INOVADOR
– Seguir implantando esse projeto em todas as escolas do Brasil

QUESTÕES GERAIS
– Precisa mudar a engrenagem
– O Ensino Médio Inovador pode ser um passo para um vestibular inovador, mudando o pensamento do jovem na faculdade
– Como despertar a curiosidade?
– Ensino médio noturno não deveria existir para menores de 18 anos, porque eles não deveriam trabalhar o dia inteiro
– Auxílio monetário do governo aos alunos para que esses não precisem trabalhar num período extenso de tempo.
– Ensino médio noturno precisa existir para os maiores de 18 anos
– Mudança. Como mudar?
– Como conseguir mudar o aluno?
– Como o aluno faz para mudar a escola?
– Por que não mantermos esse grupo de 115 alunos do Ensino Inovador presentes aqui hoje em outros locais, para que possam conhecer realidades e trocar experiências e assim continuar sendo representantes da melhoria do nosso ensino?
– Por que não novos grupos podem ter essa mesma oportunidade?
– Ampla divulgação dos eventos e projetos de âmbito nacional nas escolas, por exemplo Parlamento Jovem, bolsas de iniciação científica, projetos das universidades

Anúncios
Posted in: Carta